Saúde e Bem Estar

Remédios para emagrecer podem reduzir o desejo por álcool? Novo estudo acende alerta — e esperança

Resumo do que você precisa saber

Pesquisadores da Virginia Tech observaram que fármacos à base de GLP-1 — como Ozempic, Wegovy (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) — podem retardar a absorção do álcool e diminuir a sensação de embriaguez, o que ajuda a explicar relatos de menor vontade de beber entre usuários dessas medicações. O achado, publicado em periódico científico, abre espaço para ensaios clínicos maiores sobre uso desses remédios como adjuvantes no tratamento do transtorno por uso de álcool, mas especialistas reforçam: ainda é cedo para prescrever GLP-1 com esse objetivo.

Como o estudo foi feito — e por que isso importa

Em um estudo piloto com adultos com obesidade, participantes que usavam agonistas de GLP-1 apresentaram elevação mais lenta do álcool no organismo e relataram sentir-se menos “bêbados” em avaliações seriadas após a ingestão de bebida alcoólica. A hipótese dos autores é que o retardo do esvaziamento gástrico, efeito conhecido desses fármacos, desacelera a entrada do álcool na corrente sanguínea e, por consequência, os efeitos no cérebro. Resultado prático: menos “pico” de intoxicação pode significar menor reforço para beber, reduzindo o impulso de consumo.

Ponto-chave: o que já se sabia e o que é novidade

  • Já havia sinais: estudos anteriores, incluindo ensaio clínico randomizado com semaglutida em 2025, indicaram redução de craving por álcool e menos consumo em sessão controlada, embora sem alterar todos os desfechos de frequência de bebida. Tradução:efeito promissor, mas não é milagre

  • Novidade do piloto da Virginia Tech: o mecanismo proposto não é apenas cerebral; o efeito periférico (gástrico) pode atrasar a “recompensa” alcoólica, o que ajuda a quebrar o ciclo de reforço do consumo. Isso difere de remédios aprovados, como naltrexona e acamprosato, que atuam diretamente no sistema nervoso central.

    O que dizem outras pesquisas — o quadro completo

Evidências observacionais e revisões vêm convergindo: agonistas de GLP-1 têm potencial para reduzir ingestão de álcool, craving e até episódios de beber em excesso em diferentes cenários, com resultados consistentes em modelos pré-clínicos e estudos em humanos. Entretanto, a comunidade científica pede estudos grandes, de longa duração e focados em pessoas com transtorno por uso de álcool para confirmar eficácia, dose ideal e segurança nesse contexto.

Atenção: benefícios potenciais ≠ indicação imediata

Apesar do entusiasmo, não há recomendação oficial para usar GLP-1 com foco no álcool. Quem faz uso desses remédios para diabetes ou obesidade deve seguir a prescrição médica e discutir risco-benefício individual, inclusive porque álcool e GLP-1 podem intensificar sintomas gastrointestinais em algumas pessoas. Se você ou seu paciente tem uso problemático de álcool, procure tratamento especializado; medicamentos aprovados e terapias psicossociais seguem como padrão de cuidado.

Por que isso pode mudar o jogo em saúde pública

Se os resultados forem confirmados, GLP-1 pode somar ao arsenal contra o álcool por vias complementares (periféricas e centrais), potencialmente ampliando adesão e reduzindo recaídas quando integrado a programas estruturados de cuidado. Em um cenário de altos índices de morbimortalidade ligados ao álcool, qualquer avanço baseado em evidência tem impacto direto na vida das pessoas e nos custos do sistema de saúde. Mas o passo seguinte é ciência de qualidade: ensaios multicêntricos, amostras maiores e acompanhamento prolongado.

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